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Anda, Diana

Diana Niepce

Compreender o corpo e reinventá-lo. Observar num estado, que mistura entre o risco e a contemplação, os limites físicos de um corpo que existe em constante estado de revisão.

Anda, Diana é o projecto de uma peça para palco que retrata o processo de recuperação da bailarina e acrobata Diana Niepce, na sequência de um acidente que a deixou tetraplégica.

 

Resistir na ideia de reabilitação exaustiva de um corpo não difere da formulação do corpo de dança. O meu corpo desligou do pescoço para baixo. Agora, passo a passo, assisto ao lento processo do regresso à vida normalizada. Pode um corpo que não obedece ser chamado de corpo?

Sentir o calor que passa pelos nervos e chega até à perna, o nervo que permite mexer um dedo do pé. Acordar num corpo que não me compreende e não me respeita. Um corpo que não acompanha os meus objectivos. Um corpo que não era o meu.

Experienciar este processo de estar consciente de cada gesto não é novo. Descobrir o corpo na possibilidade, já não ingénua da criança, mas no estado virtuoso de veterana do que um dia foi possível. Vivo no processo de tornar possível o impossível.

Quero esquecer que um dia vivi presa a um corpo que não me compreendia, reformulá-lo desse estado de paralisia, que me fechou num mundo que não era o meu. Levantar-me daquela cama no hospital, reaprender a mecânica da respiração, dar o primeiro passo, andar com um andarilho, passar para as canadianas, aprender a andar de bengala, e no jogo suspenso de um tempo que não é mais normativo, conseguir andar apoiada a alguém. Levantar-me para dançar está muito próximo do primeiro passo, só falta acontecer.

Direção artística e interprete: Diana Niepce
Assistência artística: Bartosz Ostrowski
Apoio à Dramaturgia: Rui Catalão
Desenho de luz: Carlos Ramos
Som: a definir
Produção executiva: Marta Moreira
Produção: PI Produções Independentes
Coprodução: TBA - Teatro do Bairro Alto e O Espaço do Tempo

 

 

Alípio Padilha

Alípio Padilha