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As Cortes

Rui Catalão


As cortes tiveram o seu momento de glória em Portugal durante a idade média, a primeira tendo-se realizado em Coimbra, em 1211. A monarquia dividia-se então em três Estados – clero, nobreza e povo. Não existindo uma constituição e um parlamento, nem outros instrumentos legislativos, jurídicos e fiscalizadores, cabia aos representantes destas três classes reunirem-se para discutirem sobre as suas necessidades e problemas, envolvendo temas de interesse nacional, local ou corporativo. Ao rei cumpria deliberar, caso não houvesse entendimento comum.
Durante os séculos XIII-XV, as cortes gerais tinham uma duração aproximada de um mês.

Trata-se agora de reunir estes grupos identitários e fazê-los discutir as suas ambições, necessidades e carências, recolhendo ao mesmo tempo memórias que ilustrem o seu modo de vida.

Em “As Cortes” recria-se então, fora do âmbito legislativo e jurídico, a capacidade das comunidades gerarem de forma autónoma projectos e dinâmicas de trabalho que respondam aos seus interesses.

 

Autoria e encenação: Rui Catalão
Com: participantes locais
Luzes: João Chicó

 

Tintoretto_Milagre do Paralítico